A visão por idade 5 min. leitura

Problemas de visão comuns dos condutores idosos

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A visão debilitada tem um maior impacto nos condutores idosos do que nos mais novos: é mais difícil ver de noite, os sinais de trânsito ficam desfocados e até ler os medidores do painel de instrumentos pode ser um desafio.

A partir dos 40 anos, a visão pode piorar até três vezes a cada década que passa, segundo o Vision Impact Institute.

Dois terços das pessoas com problemas de vista e 82% das pessoas cegas têm 50 anos ou mais, de acordo com a OMS.

Para as pessoas a partir de 65 anos, as doenças e problemas de saúde relacionados com a idade reduzem a função visual em aproximadamente um quarto, revela o Vision Impact Institute.

Aos 75 anos, os condutores têm o dobro das probabilidades dos jovens de morrer em cruzamentos, segundo a Older Drivers Task Force, do Reino Unido.

Por cada 1,6 quilómetros (1 milha) conduzidos, os condutores com mais de 80 anos enfrentam um risco de morte 10 vezes superior à faixa etária com menos risco, dos 40 aos 49 anos. Parte deste risco está relacionado com a fragilidade crescente das pessoas com mais de 80 anos.

Não é de estranhar que à medida que os problemas visuais se intensifiquem, muitos idosos pensem bem quando e onde conduzir, limitando as suas viagens de carro ao horário diurno e a localidades que conhecem. Uma visão debilitada é muitas vezes o fator decisivo para os idosos decidirem deixar de conduzir.

Que doenças da visão podem afetar a capacidade de condução de um idoso?

As doenças oculares relacionadas com a idade e problemas como a degeneração macular, glaucoma, cataratas, tensão alta e diabetes podem reduzir a função visual em quase 25% entre as pessoas com idade a partir de 65 anos, segundo a Fundação MAPFRE.

Outros problemas de visão comuns nos idosos incluem visão desfocada, perda de visão periférica, perda de visão central e dificuldade em conduzir de noite ou com muito sol.

Conduzir de noite é um desafio especialmente grande para os idosos por vários motivos, de acordo com os investigadores de um estudo da Universidade de Harvard, Blinded by the Light (Ofuscados pela luz). Nos idosos, o tamanho da pupila diminui de um diâmetro de cerca de 5 milímetros para cerca de 3 milímetros.

Ter umas pupilas mais pequenas significa que entra menos luz no olho. De noite, o efeito é comparável a usar óculos de sol – o que não é boa ideia depois de anoitecer.

A retina sofre alterações que também pioram a visão noturna: Os olhos mais velhos têm menos fotorrecetores na retina, chamados bastonetes, que são fundamentais para uma boa visão noturna.

Cataratas

Com a idade, a lente do olho torna-se menos transparente, fazendo com que penetre menos luz. Isto provoca uma visão turva e dificuldade em lidar com a luz intensa e em ver de noite. Quando este problema piora, chama-se catarata.

As cataratas, que afetam a maior parte das pessoas com mais de 60 anos, reduzem em 30% a capacidade de reconhecer sinais de trânsito, aumentam 2,5 vezes o risco de chocar contra perigos da estrada e aumentaram em 8% o tempo necessário para concluir um percurso de condução, segundo um estudo australiano.

Visão turva

A visão turva pode ser provocada pela degeneração macular, relacionada com a idade, pelas cataratas ou pela não utilização de óculos quando necessário. Um estudo na Europa revelou que quase 5% dos condutores com idade compreendida entre os 64 e os 75 anos tinham uma acuidade visual limitada, com esse valor a aumentar para 13% nos condutores com mais de 75 anos.

A nível mundial, 37% dos idosos têm visão debilitada não corrigida (desfocagem refrativa) e deveriam usar óculos, de acordo com um estudo da Essilor e do Boston Consulting Group.

No estudo australiano, os condutores que utilizaram óculos que simulavam uma desfocagem refrativa reconheceram menos sinais de trânsito e embateram em mais perigos da estrada do que os condutores com visão normal. Embora esse estudo se focasse na condução noturna, a visão desfocada também provoca problemas na condução diurna.

Perda do campo de visão

Quatro em cada 10 condutores com mais de 75 anos sofrem de um campo de visão mais pequeno. De acordo com o estudo da Essilor e do Boston Consulting Group, esse campo de visão limitado dificulta a incorporação numa faixa, as saídas e fazer curvas.

O glaucoma, que provoca uma perda gradual – muitas vezes não detetada – da visão periférica é um dos motivos para a redução do campo de visão.

A degeneração macular relacionada com a idade também provoca a redução do campo de visão. Neste caso, a redução tem início no centro, ocorrendo uma perda da visão central, com a formação e crescimento de um ângulo morto.

Solucionar os problemas visuais dos seniores

À medida que envelhecemos, a nossa visão pode fazer com que conduzir seja um desafio, sobretudo de noite. Aqui ficam algumas formas de resolver os problemas de visão que a maior parte das pessoas enfrenta depois dos 40:

Faça exames regulares aos olhos. O seu oftalmologista pode detetar e tratar problemas de visão como o glaucoma, as cataratas e a degeneração macular, e receitar óculos, lentes de contacto ou óculos de sol para o ajudar a ver bem quando conduz, anda de bicicleta ou passeia pela sua cidade e a sua casa.

Adote a tecnologia automóvel. Os carros mais recentes estão equipados com dispositivos que avisam os condutores de qualquer idade sobre desvios de uma faixa para outra, colisões iminentes e a proximidade de peões. Isto pode ajudar se estiver distraído ou se o seu tempo de reação for mais lento devido a doenças visuais.

Peça boleia. À medida que os problemas visuais pioram, use mais os transportes públicos – ande de comboio ou de autocarro – e peça boleia a um filho, neto ou a um amigo mais jovem. Pense nisso como uma excelente forma de ter contacto com eles no caminho para o supermercado ou para o médico.