O que afeta os olhos 4 min. leitura

Miopia: o que é? — Dra. Carla Lança

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A miopia é uma doença ocular comum que se manifesta em crianças e está classificada no grupo de erros de refração do olho.
Por: Dra. Carla Lança, Research Fellow, Singapore Eye Research Institute (SERI), Singapura

Um olho normal funciona como uma máquina fotográfica que tira fotografias e envia-as para a sua película fotográfica especial – a retina. Esta, é uma membrana especial que recebe as imagens e as envia para o cérebro, através do nervo óptico.

Quando existe miopia as imagens fotografadas pelo olho não se formam corretamente na retina, mas sim à frente desta. Assim, as imagens que chegam ao cérebro estão desfocadas.

Sintomas

A principal queixa é a dificuldade em ver ao longe. Na escola, as crianças costumam queixar-se de visão desfocada, particularmente quando precisam de copiar a matéria do quadro. A visão ao perto não é afetada.

Idade de aparecimento

A idade de aparecimento é variável, mas é mais comum em crianças em idade escolar.

Prevalência

Em Singapura, 53% das crianças com 9 anos e cerca de 80% dos jovens adultos são míopes. Embora a miopia seja muito mais prevalente na Ásia, na Europa a prevalência está a aumentar.

Causas

As causas não são ainda completamente conhecidas, mas existem 3 importantes factores de risco:

  • Pais com miopia devem ter especial atenção às suas crianças.  Quando o pai ou mãe têm miopia, o risco de a criança desenvolver miopia aumenta;
  • Trabalho excessivo ao perto (ler, escrever e utilização de ecrãs) obriga o sistema visual a maior stress levando ao desenvolvimento de miopia;
  • Diminuição de realização de atividades ao ar livre com redução de exposição à luz solar aumenta o risco de a criança desenvolver miopia. Pensa-se que a exposição à luz solar é responsável pela libertação de um neurotransmissor, chamado Dopamina, que ajuda a controlar o crescimento do olho e previne a miopia.

Tratamento

Não existe cura para a miopia:

  • Nos casos mais ligeiros a correção é feita com óculos ou lentes de contacto para permitir uma boa visão.
  • Nos casos de continua progressão, podem ser utilizadas lentes de contacto especiais ou gotas de atropina.
  • A cirurgia refractiva é uma opção disponível para adultos, pois só nessa altura ocorre uma estabilização da miopia. Não é aconselhada em crianças, porque o olho continua a crescer até a criança se tornar adulta.
  • A progressão da miopia deve ser acompanhada anualmente, através de consultas regulares.

Aumento da miopia com a idade

O olho normal é esférico como uma bola. Em comparação, o olho míope apresenta uma forma alongada alterando o formato esférico. À medida que a criança vai crescendo, o olho míope tende a acompanhar o crescimento, tornando-se ainda mais alongado, o que leva a um aumento da miopia com a idade.

A miopia é uma doença grave?

A maioria dos casos são ligeiros. No entanto, uma pequena parte desenvolve alta miopia e está em risco de ter lesões na retina quando atinge a idade adulta. Devido ao formato mais alongado do olho, as camadas do globo ocular ficam estiradas e tornam-se mais finas e frágeis, podendo ocorrer a chamada miopia patológica com perda de visão irreversível.

Mesmo após a correção com óculos ou cirurgia refractiva, o olho míope continua a ser maior e o risco de lesões oculares não é eliminado, sendo importante um acompanhamento médico regular.

Como prevenir?

No período de confinamento, as famílias foram obrigadas a passar o seu tempo dentro de casa, com uma diminuição drástica dos níveis de exposição à luz solar e um aumento exponencial do uso de ecrãs para promover o ensino a distância. As melhores estratégias para prevenir a miopia incluem a realização de atividades ao ar livre e a limitação e controlo de atividades ao perto.

Atividades ao perto
  • Assegure-se que a criança utiliza uma distância segura para a leitura (pelo menos 30 centímetros, nunca menos);
  • Quando a criança está a utilizar um ecrã, ajude a ajustar a distância utilizando o braço da criança como medida;
  • Assegure que o topo do ecrã está a abaixo do nível do olhar, para que criança não esteja a olhar para cima, o que pode levar a mais queixas de fadiga visual;
  • Se a criança tem dificuldade em manter uma distância segura, utilize o monitor da televisão (a pelo menos 2 metros) para visualizar os conteúdos do computador ou tablet;
  • Assegure que a exposição a ecrãs extra escola não ultrapassa mais de 1 hora por dia. Existem apps que permitem controlar o tempo passado no telemóvel ou no tablet;
  • Relembre a criança da importância de pausas frequentes. Pode seguir a regra 20-20-20, que nos recorda que devemos fazer uma pausa a cada 20 minutos de fixação por cerca de 20 segundos, olhando para uma distância ao longe (pelo menos 6 metros) através de uma janela;
  • Evite que a criança esteja a ler em ambientes com pouca iluminação;
  • Aconselhe a criança a manter uma postura adequada e a evitar a leitura deitada ou outras posições que não a sentada.
Realização de atividades ao ar livre

Deixe o seu filho brincar ao ar livre utilizando proteção solar adequada, cerca de 2 horas diárias:

  • Escolha zonas em que a exposição solar não seja directa: à sombra de uma árvore, por exemplo;
  • Proteja a criança com a utilização de chapéus ou óculos de sol com proteção UV;
  • Proteja a criança utilizando protetor solar e fornecendo hidratação adequada;
  • Se não for possível levar a criança à rua, pode, em alternativa, deixar a criança brincar em casa em zonas de boa exposição solar com as cortinas abertas ou na varanda (desde que seja seguro).

 

 

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Como limitar o tempo passado em frente aos ecrãs?

Definir (e manter) limites no tempo que passa em frente aos ecrãs e adotar atividades sem contacto com os mesmos pode ajudá-lo a reduzir a sua exposição à luz azul-violeta nociva presente nos equipamentos digitais. Adquirir uns óculos com proteção para computador pode ajudar a reduzir o impacto do tempo excessivo em frente a ecrãs nos seus olhos.