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Olho seco: diagnóstico e tratamento — Prof. Salgado Borges

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A grande maioria dos portugueses apresenta sinais ou sintomas de olho seco, no entanto, nem todos sofrem da Síndrome do Olho Seco.
Por: Prof. Salgado Borges, Clinsborges, Clínica Oftalmológica do Porto

Existem outros problemas como infecções e/ou alergias oculares responsáveis pela sensação de secura dos olhos. O clima seco e a baixa humidade do ar deixam-nos mais suscetíveis aos fatores que estimulam as doenças oculares. Como a concentração de poluentes no ar é mais elevada, os olhos perdem facilmente a lubrificação natural graças à evaporação da camada aquosa da lágrima.

As alergias, conjuntivites e o Síndrome do Olho Seco são os principais problemas oculares e podem intensificar-se no inverno. Porém, em certas ocasiões, o olho pode estar seco sem existir qualquer doença ocular. Se tem uma sensação de areia nos olhos e visão enevoada ao final do dia poderá sofrer de secura ocular.

O diagnóstico e o tratamento do olho seco só podem ser realizados mediante exames clínicos, existindo certos cuidados que pode implementar no seu dia a dia. Acreditamos que o paciente deve ir à consulta com conhecimento de causa, o que contribui positivamente na sua expectativa quanto ao tratamento. É fundamental alertar os grupos de risco, especialmente os idosos, para o verdadeiro problema de saúde pública: o olho seco.

Olho seco: o que é?

Os olhos vermelhos e a dor nos olhos podem resultar das longas horas de trabalho ao computador. A rotina laboral e a vida moderna motivam o uso descontrolado de aparelhos digitais. O desequilíbrio que se gera entre a vida online e a vida offline leva a um desgaste visual progressivo relacionado com a secura ocular.

O olho seco caracteriza-se pelo desajuste entre a quantidade e a qualidade da secreção lacrimal e as necessidades de lubrificação da superfície do olho. Esta doença manifesta-se por um conjunto de sinais e sintomas, entre os quais se encontram a sensação de picada ou de corpo estranho, ardência e lacrimejo constante.

 

Olho seco 1

O filme lacrimal é constituído por uma película que recobre o globo ocular e a face interna das pálpebras para que estas, durante o pestanejo, passem suavemente sobre o olho, evitando qualquer dano. Os pixels são os pontos minúsculos que compõem as imagens e as letras dos ecrãs. Os olhos exercem muito esforço contínuo para os focar e, como o pestanejar não ocorre com tanta frequência, existe uma diminuição da capacidade de focagem, dores de cabeça frequentes e irritação ocular. Muitos pacientes passam a ter dificuldade em encarar a luz (fotofobia) ou em permanecer em locais com ar condicionado.

A poluição, o excesso de exposição ao sol, vento, ar seco, poeira e pólen são agentes facilitadores da evaporação das lágrimas.
Já o tabaco e a maquilhagem têm um efeito direto na desestabilização do equilíbrio da película lacrimal. A idade é outro fator que acelera o aparecimento da doença e as mulheres revelam-se mais suscetíveis, fundamentalmente após a menopausa, devido às alterações hormonais.

Após os 60 anos, a produção de lágrimas é cerca 25% menor que a verificada num jovem adulto. A alimentação é outro fator de risco para o aparecimento do olho seco. Dietas com baixo teor de ómega 3 e antioxidantes e ricas em ómega 6 desencadeiam stress oxidativo, que gera um efeito inflamatório direto sobre as glândulas de meibómio, a córnea e a conjuntiva.

Como tudo sucede

Os olhos têm uma lubrificação natural, designada lágrima. Esse líquido fica encarregado de lubrificar e aumentar as defesas contra micro-organismos externos. As lágrimas são produzidas pelas glândulas lacrimais e, à mínima alteração, os olhos podem ficar secos e desprotegidos.

Estas alterações começam por causar ardor e irritação, podendo em condições extremas originar graves problemas de visão. A boa notícia é que hoje dispomos de tecnologias, como o Keratograh 5 e o TearLab, autênticas armas de diagnóstico, capazes de detetar de forma não invasiva a presença do olho seco.

Como é feito o diagnóstico do olho seco?

No diagnóstico procuramos a origem dos sintomas, assim como a existência de doenças crónicas gerais inflamatórias ou doenças de cariz imunológico, como o Lúpus ou Síndrome de Stevens-Johnson. A incorreta utilização das lentes de contacto ou a tomada de medicamentos, como antidepressivos, antihipertensores ou antihistamínicos é prejudicial e, em alguns casos, a verdadeira causa.

Quando o olho manifesta sensação de picada ou corpo estranho podemos também estar perante o olho seco. Os casos em que detetamos prurido intenso estão provavelmente relacionados a alergias oculares. Por outro lado, na presença de secreção abundante e espessa, estamos muito provavelmente a lidar com uma conjuntivite bacteriana.

Como se trata o olho seco?

O tratamento será indicado em conformidade com a gravidade do problema, sendo o nosso objetivo reduzir o desconforto visual. As lágrimas artificiais, em forma de gotas oftálmicas, são prescritas geralmente em todas as situações de olho seco e é na consulta que é indicado o número de vezes que deverão ser aplicadas. As lágrimas artificiais apresentam um pH semelhante ao da lágrima natural, ajudando a melhorar o conforto dos pacientes.

Quando aplicada corretamente, combate não só a baixa lubrificação ocular como ainda previne inflamações na córnea (ceratite) e na conjuntiva (conjuntivite). Para não agravar o quadro do olho seco recorremos preferencialmente a lágrimas artificiais sem conservantes. As lágrimas artificiais com conservantes poderão ter mesmo um efeito tóxico atuando como um dos principais indutores de alergias.

 

olho seco tratamento

Quando os colírios lubrificantes não são suficientes pode ser necessário recorrer a anti-inflamatórios para se conseguir um maior controlo na evolução do olho seco. A Luz Pulsada (IPL) e o Plasma Rico em Plaquetas (Endoret) são alguns dos tratamentos modernos usados no olho seco predominante evaporativo.

Além dos tratamentos mais habituais como as lágrimas artificiais, aplicação de calor ou de plugs lacrimais, a nossa clínica distingue-se por fornecer um tratamento 360º:

  1. acompanhamento personalizado, nutricional e psicológico;
  2. tecnologias diagnósticas e os tratamentos mais avançados tais como a IPL (Luz Pulsada).

 

Não obstante, existem medidas preventivas que completam estes tratamentos:

  1. respeite a regra dos 20-20-20: ao fim de 20 minutos, olhar para 6 metros ou 20 pés e pestanejar durante 20 segundos;
  2. coloque o ecrã do aparelho a 50 centímetros, à altura dos olhos ou ligeiramente abaixo;
  3. limpe com frequência a tela do computador ou tablet;
  4. trabalhe numa sala bem iluminada.

Antes de proceder a qualquer uma destas medidas contacte o seu oftalmologista. Só este especialista é capaz de detetar o problema ocular e de indicar o melhor tratamento em função de cada causa.

 

 

 

 

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